Por que meus exames vêm "normais" e eu continuo cansado?
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Porque "normal" é uma faixa de referência populacional, não uma meta individual. Um exame dentro da faixa pode estar longe do ponto em que você funciona bem. Trabalhamos com metas individualizadas por biomarcador e leitura em série, não com um resultado isolado.
O que acontece com o peso quando eu parar o GLP-1?
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Sem estratégia de saída, boa parte volta. Na extensão do estudo STEP 1, quem interrompeu a semaglutida recuperou cerca de dois terços do peso perdido em um ano. Existe um plano específico de pós-GLP-1 e antirreganho: desmame gradual, preservação de massa magra e monitoramento de fome e gasto energético nas semanas seguintes.
O que é ApoB — e por que ninguém nunca pediu esse exame para mim?
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ApoB conta o número de partículas capazes de entrar na parede da artéria; o colesterol comum mede o conteúdo delas. Duas pessoas com o mesmo LDL podem ter risco bem diferente. É um exame simples, barato e ainda pouco pedido na rotina.
Reposição hormonal é perigosa?
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O risco está na reposição sem indicação, sem dose ajustada e sem monitoramento. Reposição só é indicada quando há deficiência diagnosticada em exame e sintomas compatíveis. Com avaliação prévia, alvo definido e exames em série, a conduta é monitorada — e interrompida quando deixa de fazer sentido.
Soroterapia é moda ou tem indicação real?
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Tem indicação quando existe alvo clínico e uma deficiência ou demanda documentada. Fora disso, é despesa. Por isso a indicação vem depois da avaliação e dos exames, com composição definida individualmente pelo médico.
Como funciona o retorno semanal na prática?
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Você envia os dados combinados da semana, nós lemos a tendência e o ajuste sai na mesma semana — dose, treino, alimentação ou exame. Não se espera três meses para corrigir uma rota que já está errada.
Qual a diferença entre o check-up do plano de saúde e o painel de vocês?
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O check-up costuma responder "tem doença agora?". O painel responde "para onde isso está indo?": partículas aterogênicas, resistência insulínica, inflamação, eixo hormonal e, quando aplicável, dados genéticos.
Por quanto tempo posso usar caneta emagrecedora?
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Obesidade é doença crônica, e o tratamento acompanha essa lógica: não existe alta programada por tempo. Os estudos de extensão mostram reganho após a suspensão quando não há plano de transição. Manter, reduzir ou sair é decisão reavaliada periodicamente, com composição corporal e biomarcadores na mão — não pelo calendário.
Parei de emagrecer com a caneta. E agora?
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Platô tem causas diferentes e condutas diferentes: dose ainda não otimizada, queda de gasto energético por perda de massa magra, ingestão proteica insuficiente, sono ruim ou medicação concomitante. Antes de aumentar a dose, vale medir composição corporal, gasto energético por calorimetria e revisar o que mudou. Nem todo platô se resolve com mais fármaco.
Exame genético vale a pena ou é só curiosidade?
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Mais do que a maioria imagina. A genética antecipa decisões: mostra quais rastreios de câncer precisam começar mais cedo ou ser mais frequentes, revela por que certas vitaminas e minerais não são bem absorvidos, prevê resposta e tolerância a medicamentos antes da primeira dose e mapeia predisposições metabólicas e cardiovasculares que ainda não apareceram em exame nenhum.
- Rastreio oncológico dirigido — variantes em BRCA1, BRCA2, genes do sistema de reparo e outros mudam a idade de início e o intervalo dos rastreios de mama, ovário, intestino e próstata.
- Absorção de vitaminas e minerais — variantes em HFE alteram a absorção de ferro, FUT2 se associa a níveis mais baixos de vitamina B12, e o perfil da lactase explica intolerâncias que passaram a vida sem diagnóstico.
- Farmacogenômica — SLCO1B1 se associa a dor muscular por estatina, CYP2C19 altera a resposta ao clopidogrel e ao omeprazol, e CYP2D6 muda o metabolismo de vários antidepressivos e analgésicos.
- Risco cardiovascular herdado — hipercolesterolemia familiar e trombofilias como fator V de Leiden mudam meta, conduta e idade de investigação.
- Predisposição metabólica — variantes ligadas a obesidade, resistência insulínica e diabetes tipo 2 antecipam o rastreio em quem ainda tem exame normal.
- Risco de doença celíaca — a ausência de HLA-DQ2 e DQ8 praticamente descarta o diagnóstico e encerra a investigação.
- Cognição e envelhecimento — o perfil de APOE orienta a intensidade do controle vascular e do plano de prevenção.
Como sair de um ciclo de anabolizante sem perder tudo?
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A saída é conduzida, não abrupta. Envolve avaliar o grau de supressão do eixo, planejar a retirada e acompanhar a recuperação de testosterona e gonadotrofinas em série. Em paralelo, proteger o que costuma piorar na transição: perfil lipídico, hematócrito, pressão, fígado e humor. Treino de força e proteína sustentam a massa nesse período.
Creatina faz mal para o rim?
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Em rim saudável, não há evidência de dano com as doses usuais, mesmo em uso prolongado. A confusão vem do exame: a creatina eleva a creatinina sérica sem que exista lesão renal, o que pode simular queda de função. Em doença renal prévia, a decisão é individual e monitorada. Na nossa clínica, sempre pedimos cistatina C para avaliar a real função renal.